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01/09/2000
A arte como atividade terapêutica em Petrópolis
LUIZ HENRIQUE DE Sá *
Dando continuidade ao nosso tema do artigo passado, quando falávamos das chamadas atividades terapêuticas e as dividíamos em dois ramos - aquelas ligadas à ecologia e as que são exercitadas no atêliers pelos artistas - hoje abordaremos essas últimas, por encontrarmos em Petrópolis as condições necessárias para seu exercício.
Rollo May, psicanalista existencial norte-americano, em seus livros diz que o exercício da criatividade envolve liberdade e coragem, o que de fato se mostra verdadeiro, mas também parece ser verdadeira a necessidade de um ambiente propício, principalmente quando a criatividade tem vários ângulos e que tanto pode produzir belas pinturas, esculturas e poesias como também ser utilizada na resolução de problemas matemáticos, no desenho industrial ou mesmo na nossa vida diária, no nosso cotidiano.
A tranqüilidade que faz parte das condições para produção de obras de arte e que se traduz no silêncio, no clima psicológico de paz, na luz necessária e no tempo disponível, é fácil de ser encontrada em Petrópolis que conta com recantos protegidos em seus vales e montanhas e que oferece no dia-a-dia uma qualidade de vida invejável a todos os que vivem no atribulado emaranhado urbano das grandes cidades.
A coragem é a exigência que nos faz a obra de arte que ao ser exibida nos desnuda e nos põe frente a frente com o outro, revelando nossas características mais subjetivas e íntimas, o que nunca é fácil de ser feito.
A liberdade, essa outra exigência feita, diz respeito à nossa capacidade de ousar ser aquilo que realmente somos e que sempre transparece na obra, marcando de forma inequívoca a nossa produção. Existe um perigoso discurso político nesse ponto onde alguns acreditam que os homens se tornam mais criativos quando se encontram sob "stress", privados de liberdade de ação ou sob tensão, esse é um caminho que leva direto aos governos autoritários e à censura. Nada que restringe pode ser auxílio na expansão e no crescimento do que quer que seja.
O efeito terapêutico de uma obra de arte não se restringe ao seu autor que muitas vezes a utiliza para exorcizar seus próprios demônios, mas tem uma amplitude muito maior ao "tocar" cada um que pode admirá-la. A beleza é fundamental para o equilíbrio e enriquecimento do ser humano. Ela deveria estar mais presente na nossa vida, fosse através de um acesso mais fácil e de um incentivo à arte ou da preocupação com a estética da arquitetura urbana.
A nossa conclusão é que existem coisas que mais do que terapêuticas são fundamentais na vida e que são brilhantemente resumidas no legado de nossa saudosa amiga e mestra da USP, Rachel Léa Rosemberg, que nos dizia: "na vida existem três coisas que valem a pena: o amor, a liberdade e a beleza o resto é circunstância".
Como estamos utilizando um veículo que privilegia as imagens, aproveite para admirar as belas ilustrações botânicas da artista petropolitana Silvia Amélia de Hungria Machado que reproduzem a beleza das orquídeas.
* Luiz Henrique de Sá é psicólogo.

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