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01/09/2000
Produtor rural de Petrópolis
comercializa mudas de hortaliças JOSEMIR MEDEIROS
FOTO: JOSE SOARES
Petrópolis é conhecida internacionalmente como uma cidade turística. No entanto, poucos conhecem as atividades agrícolas desenvolvidas em sua Zona Rural. Na verdade nem mesmo os petropolitanos sabem direito que no Bonfim, em Secretário, no Caxambu e no Brejal os produtores rurais da cidade imperial plantam legumes e verduras que abastecem todo o estado. Se poucos são os que sabem como se planta na periferia de Petrópolis, menos ainda são aqueles que conhecem o trabalho da família Katsumoto que cultiva mudas de hortaliças, em seu sítio no Brejal, para atender a outros produtores da região.
Quem freqüenta o Horto Mercado municipal, ao lado do parque de Exposições, em Itaipava, conhece o box do Sítio Katsumoto e já deve ter tido a curiosidade de perguntar à D. Angela Katsumoto para que servem aquelas mudas de alfaces, brócolis e outras verduras vendidas em bandejas de isopor. No entanto, poucos são aqueles que se dispõe a viajar pelas difíceis estradas que levam ao sítio, no Brejal. Lá, além da produção própria que abastece a Ceasa do Rio de Janeiro, os Katsumoto cultivam, em estufas, mudas das mais diversas hortaliças para atenderem aos demais produtores de Petrópolis. Quem está á frente do projeto é a engenheira agrônoma Rumi Katsumoto.
"Nós trabalhamos com sementes híbridas que oferecem melhor resistência às doenças e se tornam mais precoces, o que representa uma vantagem para o produtor pois ele vai poder colher muito mais cedo", explicou Rumi mostrando ainda que as suas mudas de bandeja recebem um adubo balanceado, estão livres das doenças do solo porque são plantadas em terra tratada e também das impurezas do ar, por serem cultivadas em estufas. Além disso, na hora de transplantar a muda de bandeja para o canteiro definitivo, surge outra vantagem: "Quando se planta normalmente uma semente na terra, ela cresce e se desenvolve, mas na hora de transplanta-la para outro canteiro, as raízes mais profundas acabam ficando no solo. No caso das mudas de bandeja, todas as raízes acompanham a hortaliça, garantindo um produto final de maior qualidade", disse Rumi Katsumoto.
Economicamente a produção das mudas tem se revelado bastante atraente para a família Katsumoto, porque representa um retorno seguro, independente das intempéries, já que elas são cultivadas em estufas. Além disso, eles só trabalham por encomenda. Atualmente o Sítio Katsumoto produz 22 mil mudas de hortaliças por semana.
Além das mudas, os Katsumoto também comercializam sua produção final de hortaliças para abastecer as Ceasas do Rio e Juiz de Fora, além do Horto Mercado de Petrópolis. O sítio vende semanalmente 450 "pregadas" de alface, 50 dúzias de molhos de beterraba, 50 caixas de jiló, 50 de pimentão e 20 de vagem, entre outros produtos.
A família Katsumoto vive há mais de 20 anos no Brejal. Rumi, que nasceu na região, diz que o local é privilegiado no que se refere à topografia dos terrenos, quase sempre planos e também quanto ao clima e ao solo, muito apropriados à agricultura. No entanto, as estradas são um grande problema para os produtores. "Quando chove é muito difícil escoar nossa produção e várias vezes nós já tivemos que levar as verduras numa caminhonete para carregar o caminhão em outro local, porque não havia possibilidade de chegar até aqui com um carro maior", afirma Rumi dizendo ainda que a energia elétrica é precária e a mão-de-obra é difícil, justamente porque as condições de vida no local não são fáceis, o que desestimula a fixação do homem no campo.
Apesar das dificuldades, os agricultores da cidade imperial produzem os legumes e as verduras que abastecem Petrópolis e todo o estado. Quem quiser conferir a qualidade da produção agrícola da cidade deve visitar a Exposição Agropecuária, em Itaipava, de 30/04 a 11/05.

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