01/09/2000
Roberto Carlos canta o amor no Quitandinha

JOSEMIR MEDEIROS

O show do ano em Petrópolis não conseguiu lotar o Teatro Mecanizado do Quitandinha. Apesar disso, a apresentação de Roberto Carlos impressionou. Acompanhado do RC-9, que virou uma orquestra com muito mais do que nove músicos, e com uma iluminação impressionante, o "Rei" cantou, em duas horas de espetáculo, 20 músicas de seu repertório, com destaque para as canções de amor, título do show, mas sem esquecer dos velhos sucessos da Jovem Guarda e das canções de sua fase mística, como "Jesus Cristo" e "Nossa Senhora". Ao lado do palco dois telões mostrando detalhes do palco, como os gestos de Roberto em determinados números e closes dos músicos. Na platéia, além dos petropolitanos que se dispuseram a pagar R$ 150,00 por um ingresso, astros e estrelas da MPB como Zé Ramalho, Joana e Emilinha Borba, a quem Roberto dedicou o show, no final.

Roberto Carlos abriu o espetáculo lembrando sua volta ao Quitandinha, 30 anos depois - Ele esteve em Petrópolis, nos anos 60, no auge da Jovem Guarda - O cantor explicou que seu novo show, "Amor", foi produzido para que ele tivesse oportunidade de cantar todas as formas de amor, inclusive, a maior de todas, o amor de Deus. Para dar um caráter intimista ao espetáculo, Roberto trata a platéia como se fosse alguém muito próximo a ele e agradece a companhia durante todos esses anos. "São tantos anos juntos, que é bom a gente nem lembrar, porque faltariam dedos nas mãos para contar. Mas é uma companhia tão boa que eu sinto vontade de perguntar, como vai você?", diz Roberto antes de emendar interpretando a canção de Antônio Marcos.

Terminada essa primeira fase mais romântica, onde Roberto canta para os apaixonados e para os diversos tipos de mulher, a gordinha, a de óculos e a de 40, começa o bloco dedicado à Jovem Guarda, abrindo com a nostálgica "Jovens tardes de Domingo" e fechando com "O Calhambeque".

Depois de apresentar os músicos da banda e o maestro Eduardo Lages, Roberto pega o violão para fazer o momento mais intimista e mais bonito do show. Ele diz que vai cantar uma canção muito antiga, feita para a sua primeira paixão. Para essa música, ele pede uma luz especial, bem suave. Quando fica quase na penumbra, diz que gostaria de ter também um céu todo estrelado e imediatamente pequenos pontos de luz tomam conta do palco. Para completar, pede que as estrelas pisquem lentamente, como as estrelas do céu. Atendido, Roberto saca do violão uma canção que é, na verdade, uma conversa de namorados: "o que é que você tem? Fala prá mim? Não quero ver você triste assim..."

Na última parte do show , Roberto diz que, depois de cantar o amor de várias maneiras, chegou a hora de canta-lo na sua forma maior, mais clara, cristalina, mais verdadeira: o amor de Deus. Começa então a fase mística do espetáculo com quatro canções: "Quando eu quero falar com Deus", "O Terço", "Nossa Senhora", cantada com o público de pé e com a imagem da santa nos telões e finalmente "Jesus Cristo".

Ao final, Roberto distribui rosas para a platéia, ao som de "Como é grande o meu amor por você", chega até a beira do palco, para desespero dos seguranças, recebe flores e bilhetes e volta ao microfone para encerrar a canção, agradecer mais uma vez e dedicar o show a Emilinha Borba: "Com licença de todos vocês, de todas as celebridades presentes, eu quero dedicar esse show a uma pessoa, a uma artista que eu amo muito: Emilinha Borba. Emilinha, eu dedico esse show, de todo coração, a você", encerrou Roberto.

A Platéia

O público que foi ao Teatro Mecanizado do Quitandinha sabia que assistiria ao um show diferente. A começar pelo preço do ingresso, o mais barato custava R$ 120,00. Depois, pela recepção incomum: Antes do show, no saguão do teatro, uma mesa com queijos e vinhos dava ao show um clima de festa. Entre os presentes, celebridades da música popular como Emilinha Borba, Zé Ramalho e Joana, além de "globais" como o ator Tadeu Aguiar.

Emilinha Borba, disse que freqüentava o Quitandinha nos áureos tempos do Cassino, na década de 40 e que agora tinha a oportunidade de voltar para rever o Teatro Mecanizado e a própria cidade que ela diz gostar muito. Quando perguntada se é fã do Roberto, responde: "Muito. Fã e amiga", declara Emilinha a quem Roberto dedicaria o show mais tarde.

O cantor Zé Ramalho lembrou um show que fez, em 1985, no Teatro Mecanizado do Quitandinha que considera um ambiente muito elegante e tradicional, segundo ele, bastante apropriado a um show de Roberto Carlos de quem se declarou um admirador. "O Roberto faz parte da minha formação musical. Durante os anos 60, lá na Paraíba, eu toquei em muitos conjuntos de baile que faziam "cover" de artistas da Jovem Guarda. Muitas das músicas que eu fiz, foram para o Roberto. O fato de ele nas as ter gravado, são coisas que acontecem, já que ele tem um critério muito forte com relação às músicas que ele grava. Mas só o fato de ele ter me dado atenção, certa vez quando me convidou para passear com ele de iate na Baía de Guanabara e ter ouvido com muita atenção uma música minha chamada "Eternas ondas", que eu fiz prá ele, me deixou muito envaidecido", declarou Zé Ramalho. Perguntado sobre a Internet, Zé Ramalho disse que, graças aos seus filhos mais velhos que vivem na Paraíba, sua obra já está na Rede, em home-pages criadas por eles.

A cantora Joana relembrou o início da sua carreira quando cantava na noite carioca e morava em Petrópolis, mais especificamente no bairro do Alto da Serra, viajando todo dia ao Rio para trabalhar, durante dois anos. Joana diz que conhece Petrópolis como a palma da sua mão e que, inclusive, sua mãe vive hoje em Corrêas. Com relação à sua admiração pelo trabalho de Roberto Carlos, Joana diz sentir uma grande admiração pela obra musical do "Rei", gravando sempre músicas dele em seus discos. "Enfim, Roberto mora no coração de todos os brasileiros e especialmente no meu", concluiu Joana.