| |
01/09/2000
Biblioteca de Petrópolis é a terceira maior do estado
ANDREIA CONSTâNCIO
Quem visita Petrópolis e fica conhecendo parte de sua história, seus casarões, suas ruas arborizadas, pensa que a tradição histórica da cidade se baseia apenas em seus monumentos, seus museus. Não sabe que a cidade possui a terceira maior biblioteca do estado, e que esta abriga um acervo de livros que chega a 130 mil, mais um número ainda não calculado de certidões de nascimento e obituários registrados entre 1857 (data em que Petrópolis passou a ser município) e 1968. A Biblioteca Municipal, "dona" da memória petropolitana, fica em um dos lugares mais privilegiados da cidade: a Praça Visconde de Mauá, num prédio de arquitetura moderna - o Centro de Cultura Tristão de Athayde - que acaba contrastando com o material histórico que a biblioteca abriga e com o prédio vizinho, o Palácio Amarelo, sede do Legislativo municipal.
Por suas salas passam diariamente estudantes, professores, historiadores, jornalistas, e turistas interessados em saber um pouco mais sobre a memória e a história da cidade. Uma das salas da biblioteca abriga o arquivo de todos os jornais impressos e distribuídos em Petrópolis desde o princípio do século, além dos Diários Oficiais do Município. Ali, é possível encontrar verdadeiras relíquias, registradas por aqueles que presenciaram a vida da população e a história da cidade no passar das décadas. Um verdadeira fonte inesgotável de informação e pesquisa.
Em outras salas, a biblioteca - já quase sem espaço - abriga livros diversos de escritores e poetas brasileiros famosos, como Machado de Assis, Mário Quintana, Eça de Queiroz, Carlos Drumond de Andrade, Castro Alves, Jorge Amado, sem qualquer tipo de preconceito literário; além de obras primas de escritores estrangeiros, como Fernando Pessoa e Pablo Neruda, os dois, talvez, os mais procurados pelos estudantes e universitários da cidade.
Mas, como sempre, nem tudo são flores. Todo esse material pode se perder, caso a administração municipal não implemente um projeto de restauração e informatização da biblioteca o mais rápido possível. O primeiro passo já foi dado. Depois de alguns anos de abandono, a atual presidente da Fundação Petrópolis de Cultura, Esportes e Lazer, Kátia Chalitta, sabe a importância da preservação da memória da cidade e começou a investir na modernização da biblioteca. No início de maio, a Fundação liberou uma verba para restauração de algumas salas da biblioteca e doou um computador Pentium para ajudar no trabalho de catalogação do acervo.
Mas ela mesma reconhece que isso ainda é muito pouco diante de todas as necessidades da terceira maior biblioteca do estado. A Fundação já recebeu um projeto enviado pelas historiadoras Maria de Fátima Moraes Argon e Neibe Costa, arquivistas do Museu Imperial, para recuperação de documentos e informatização de muitos documentos que estão se deteriorando no local e estuda sua viabilidade.
Apesar do orçamento apertado, Kátia Chalitta tem planos e pretende revitalizar o trabalho desenvolvido pela biblioteca, fazendo com que a população se aproxime mais dela, não somente nos momentos de pesquisa, mas também nos momentos de lazer. Como a biblioteca fica dentro do Centro de Cultura Tristão de Athayde, que possui salas de exposições, cinemateca, um mini-teatro, a idéia é fazer com que os visitantes do espaço cultural englobem também a biblioteca, como ponto de encontro com a cultura. Se der certo, será bom para a cidade, melhor ainda para a população.

|