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01/09/2000
Jovens de Petrópolis mantêm tradição da subida ao Açu
ANDREIA CONSTâNCIO
Por que será que pelo menos três, entre dez jovens petropolitanos, já subiram ou gostariam de subir a Pedra do Açu, que fica na divisa da cidade com Teresópolis? Só quem já subiu os 2.232 metros de altitude deste morro localizado na Serra dos Órgãos sabe responder. Dotado de uma beleza natural deslumbrante, o morro ou Pedra do Açu, é o ponto culminante da Serra do Mar, e continua fascinando os jovens - e os nem tão jovens - petropolitanos, que costumam organizar grupos nos finais de semana, entre os meses de abril e setembro - no verão, período de chuvas, a subida é desaconselhável e muitas vezes impedida por fiscais do Ibama.
A subida deve ser sempre feita com guias experientes - existem ótimos guias em toda a cidade - e leva entre quatro e oito horas, dependendo o ritmo do grupo. Algumas caravanas sobem até o Morro do Cruzeiro (ponto mais alto) e pegam a trilha que vai dar em Teresópolis, mas a grande maioria acaba ficando mesmo no Véu da Noiva, passando a noite por lá e voltando na manhã seguinte pela mesma trilha que dá na localidade de Bonfim, em Petrópolis.
Vegetação exuberante, cachoeiras, e uma vista que abrange os municípios de Petrópolis, Teresópolis e Rio de Janeiro deixam as pessoas quase sem ar. No amanhecer, o nascer do sol e as nuvens cuidam do espetáculo. Muita gente fica com vontade de caminhar no tapete de nuvens brancas que se forma abaixo do morro. Imagem indescritível.
Apesar da grande maioria dos grupos serem constituídos por jovens, existem aqueles que, apesar da idade, não dispensam o contato com a natureza, nem que for uma vez a cada ano. É o caso de seu José Quintella, de 49 anos, que sobe o Açu uma vez por ano para "recarregar as baterias".
- Subi o Açu pela primeira vez aos 22 anos, com um grupo de amigos aqui de Petrópolis e do Rio. Na verdade, queríamos mostrar aos nossos amigos cariocas que eles têm a beleza das praias, mas nós temos o privilégio de poder conviver com a natureza dessas montanhas. Quando estou lá em cima, é como se eu estivesse mais perto de Deus - diz entusiasmado.
Mas a subida do Açú não é para qualquer um não. Lá em cima faz muito frio, principalmente entre os meses de junho e agosto. Algumas pessoas já tiveram que voltar no meio do caminho para não congelar. Quando chove no meio da caminhada, o problema ainda é maior. O Corpo de Bombeiros da cidade fica sempre em alerta no período de subida e já resgatou muita gente no local.
Equipamentos - Os equipamentos para subida são bastante simples. Quase nunca é preciso levar aquela parafernália de cordas e ganchos, a não ser que os aventureiros queiram uma subida mais radical.
As trilhas formadas ao longo de tantos anos pelos "amantes do Açú" facilitam a jornada. Uma boa mochila, saco de dormir, cantil , lanterna, fogareiro, panela talheres, prato, copo (tudo de plástico ou alumínio), fósforo e isqueiro, além de uma barraca leve são suficientes para a subida do morro. Nada absurdo para quem já está acostumado com passeios ao ar livre.
Como vestuário é recomendável roupas confortáveis, como calça jeans, camiseta, tênis ou uma bota macia e um casaco leve. Mas, para se proteger do frio da noite que, às vezes chega a zero grau, é bom levar uma calça e blusa de lã, casaco, meia de lã, luvas, e um bom gorro. No aperto, o bom mesmo é fechar todo o saco de dormir e se sentir como uma tartaruga no casco.
Para alimentação, o básico e mais fácil de se fazer: miojo, pão, leite em pó, chocolate em pó, açúcar, chocolate em barra, biscoitos, guaraná natural, amendoim, e um bom conhaque para quem quiser se esquentar e gostar de uma bebidinha. Segundo os "trilheiros", responsáveis pelas subidas de grandes grupos, essa alimentação básica garante a temperatura do corpo e dá energia.
Como chegar - Para quem for de carro até o ponto de subida é só pegar a Estrada União e Indústria até o final da localidade do Bonfim, onde está a cachoeira do Açu, local preferido dos petropolitanos para um bom banho de água doce no verão. Para quem vai de ônibus, é só pegar a linhas 600 ou 611 e descer no ponto final. A partir daí é só "esquentar as canelas" e aproveitar a aventura.
LIXO NÃO: Apesar da grande maioria dos aventureiros ter uma consciência ecológica, ainda existe muita gente que não percebeu a responsabilidade de cada um nesse planeta. Como em qualquer lugar de beleza natural, o lixo tem sido o grande poluidor e causador de problemas no Morro do Açú.
Não basta curtir a aventura da subida, se encantar com a beleza do local, todos os interessados em conhecer o Açu devem levar na bagagem sacos de lixo, para não cometerem o PAPELÃO de deixar sujeira pela caminho.
Recentemente, um grupo subiu no morro só para retirar o resto de lixo e entulho deixado pelos "mochileiros" - nome dado àqueles que sobem os morros da cidade, sem qualquer tipo de consciência ecológica - ao longo do caminho. Foram quase 500 quilos de lixo retirados aos poucos e com muito trabalho e esforço daqueles que querem preservar o Açú para as futuras gerações. Eu quero, e você?....

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