01/09/2000
SANTOS DUMONT:
O INVENTOR E SUA CASA ENCANTADA

JOSEMIR MEDEIROS

Alberto Santos Dumont nasceu em Ribeirão Preto (SP), consagrou-se em Paris, mas ficou encantado por Petrópolis, onde, em 1918, construiu um chalé alpino francês, em três pavimentos com telhado em folha de flandres. A esse refúgio de verão, o inventor deu o nome de "A Encantada". Transformada em museu, a casa guarda mostras da criatividade do inventor. As escadas que dão acesso aos pavimentos superiores têm degraus alternados que obrigam o visitante a iniciar a subida sempre com o pé direito. No banheiro, um originalíssimo chuveiro, com aquecimento a álcool.

Em 1898, Alberto Santos Dumont, filho de um rico fazendeiro de Ribeirão Preto, tinha 25 anos e já sobrevoava Paris num balão esférico. No entanto, isso não lhe bastava. Ele queria dirigir o balão para onde quisesse, sem depender dos ventos. Ele calculou que, se fizesse um balão cilíndrico bastante comprido e fino, este fenderia o ar. Foi assim que, ainda em 1898, Santos Dumont combinou um balão com um motor a gasolina. Surgia o Santos Dumont nº 1, que além do motor, tinha hélice e leme.

Em 1901, viria a consagração em Paris, com a conquista do Prêmio Deutsch de la Meurthe que seria entregue àquele que, partindo de St. Cloud, circunavegasse a Torre Eiffel e voltasse ao ponto de partida, num prazo de meia hora. A bordo do Santos Dumont nº 6, o inventor brasileiro realizou a façanha e, além dos 125.000 francos do Prêmio - que ele dividiu entre seu mecânico, seus operários e a Prefeitura de Polícia de Paris, para cobrir penhores da população pobre - Santos Dumont recebeu um telegrama daquele que o brasileiro considerava o maior gênio de todos os tempos: Thomas Edison. "A Santos Dumont, o pioneiro dos ares, homenagem de Thomas Edison", dizia o telegrama.

O automóvel era outra paixão do inventor, que chegou a organizar corridas em Paris. Santos Dumont inventou também o relógio de pulso, por encomenda da Casa Cartier. Para guardar seus dirigíveis, inventou o hangar e também criou esquis a motor, aprovados por alpinistas na Suíça.

Em 1906, Santos Dumont consegue fazer um avião decolar por seus próprios meios. O 14 - Bis decola no campo de Bagatelle, em Paris, sem balão, nem gás, dotado de asas e com motor a gasolina. Em 1909, os irmãos Wright, norte-americanos, exibiriam um modelo aperfeiçoado de avião, afirmando que em 1903, antes de Santos Dumont, já teriam feito vôos curtos, em segredo. Como não haviam documentos provando isso, a Federação Aeronáutica Internacional, sediada em Bruxelas, creditou a Santos Dumont a glória do primeiro vôo de avião.

Em 1909, Santos Dumont apresentaria outro avião construído por ele, o Demoiselle, oito vezes menor que o 14-Bis, e capaz de voar a 96 Km por hora. Santos Dumont conquistou o título de Pai da Aviação, mas não quis patentes ou recompensas pelo seu invento, conforme noticiou o jornal Le Matin, em 1909. " O Sr. Santos-Dumont (...) não deseja construir aeroplanos para vender. Põe o modelo à disposição de todos."