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01/09/2000
RUI BARBOSA
JOSEMIR MEDEIROS
Como a maioria das figuras ilustres do Rio de Janeiro, então capital da República, Rui Barbosa também escolheu Petrópolis para seu refúgio no verão. A princípio a insalubridade do Rio, infestado de doenças tropicais, foi o que motivou a fuga da elite carioca para a serra. Quando o calor aumentava e os perigosos mosquitos da febre amarela infestavam o Rio, a solução era tomar uma barca no cais da Praça XV, atravessar a Baia de Guanabara até o Porto de Mauá e embarcar no trem que iria até a Raiz da Serra de Petrópolis, trafegando pela primeira ferrovia do Brasil. Depois que o Rio foi saneado pelo Dr. Oswaldo Cruz e remodelado pelo prefeito Pereira Passos, a capital da República não era mais insalubre, mas a elite carioca já havia eleito Petrópolis como local de veraneio.
Rui Barbosa escolheu o número 405 da Avenida Ipiranga para seu refúgio serrano. Ali plantou hortênsias, cravos e um roseiral. Em sua casa de veraneio, que ele chamava de "sweet home", o intelectual, que chegou a ser Ministro da Fazenda e da Justiça nos primeiros anos da República, transformava-se num simples jardineiro.
Cercada de plantas, assim como a residência da Rua São Clemente, em Botafogo, a casa de Petrópolis exercia uma atração especial em Rui Barbosa a ponto de desejar muitas vezes chegar à sua "sweet home" um pouco antes do verão para, como dizia, "encontrar os restos da primavera e gozar das flores do meu jardim".
O verão de 1923 foi o último em que Rui Barbosa pôde desfrutar da calma e tranqüilidade da serra. Nas primeiras horas da manhã do dia 28 de fevereiro, Rui começou a sentir-se mal. No dia seguinte, 1º de março, um especialista veio examina-lo. Porém, na noite daquele mesmo dia, faleceu em sua casa da Avenida Ipiranga, aos 74 anos de idade, Rui Barbosa.
O corpo de Rui Barbosa foi embalsamado e seguiu para o Rio de Janeiro num vagão funerário da Leopoldina Railway, para ser velado no hall da Biblioteca Nacional e sepultado, no dia seguinte, no Cemitério São João Batista.

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