06/08/2004
Fábrica de medicamentos adquirida pela Fiocruz vai quintuplicar a produção atual

FONTE DIÁRIO DE PETRÓPOLIS

Fábrica de medicamentos adquirida pela Fiocruz vai quintuplicar a produção atual

Brasília, - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Humberto Costa, (foto) participaram ontem, na Fiocruz (Rio de Janeiro), da solenidade de assinatura do Termo de Posse da fábrica de medicamentos que a Fiocruz adquiriu da Glaxo Smith Kline Brasil. Com 105 mil m2, o novo parque industrial está localizado em Jacarepaguá, é três vezes maior que o de Manguinhos e tem uma capacidade instalada que permite quintuplicar a produção atual.

Com a transferência gradual da produção de Manguinhos para Jacarepaguá, espera-se que em 2007 seja alcançada a capacidade de 10 bilhões de unidades farmacêuticas (Ufs). A expectativa é de que já em 2005 se produzam 2,5 bilhões de UFs, destinadas a diversos programas do Ministério da Saúde, incluindo a Farmácia Popular do Brasil. Também no próximo ano, passará a ser produzida uma importante classe de medicamentos na assistência à saúde pública: a de penicilínicos (antibióticos), tais como a amoxicilina.

A linha de medicamentos poderá ainda diversificar-se com a inauguração de novas classes e formas farmacêuticas. Hoje, são produzidas mais de 60 diferentes apresentações de medicamentos. Esse número deve expandir para cerca de 100 até 2007.

A aquisição da planta industrial da Glaxo Smith Kline Brasil pela Fiocruz representa um grande salto na assistência farmacêutica à população brasileira. Adquirir instalações de alta capacidade tecnológica da indústria farmacêutica privada é, indubitavelmente, uma iniciativa governamental pioneira sem precedentes no exterior. O governo brasileiro reafirma seu compromisso com a população ao garantir a produção, com alta tecnologia, de medicamentos destinados à parcela mais pobre do país.

O trabalho de Far-Manguinhos gera uma economia, em média, de R$ 200 milhões por ano para o Ministério da Saúde que, por adquirir medicamentos mais baratos, pode melhor otimizar os recursos públicos.

Far-Manguinhos é reconhecido no Brasil e no exterior, principalmente, pelo seu papel de destaque na pesquisa e produção de anti-retrovirais, subsidiando o Programa Nacional de DST/Aids ao produzir sete dos 16 medicamentos que compõem o coquetel brasileiro. Além disso, exporta tecnologia anti-HIV para países da América Latina e Ásia.

Para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS), o governo brasileiro conta com uma rede de 18 laboratórios públicos produtores de medicamentos. O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Far-Manguinhos) é o único laboratório do Ministério da Saúde. Ele atua como suporte tecnológico no estabelecimento de políticas públicas de saúde. Far-Manguinhos é um aliado do governo brasileiro no desenvolvimento de tecnologias e fabricação de medicamentos, com preços reduzidos e alto rigor tecnológico, reconhecidos no Brasil e no exterior.

Far-Manguinhos é o único dos laboratórios públicos do Brasil a manter uma área consolidada para pesquisa de novos fármacos e medicamentos.
Produzir medicamentos para tratamento das principais doenças que atingem a população é a missão de Far-Manguinhos. Sua produção visa, sobretudo, ao combate a doenças negligenciadas pelo mercado farmacêutico e ao fornecimento de medicamentos excepcionais e de impacto no orçamento do Ministério da Saúde.

Far-Manguinhos tem alcançado marcas históricas na produção de medicamentos. Em 2003 foram produzidas mais de 1.7 bilhão de unidades farmacêuticas (comprimidos, cápsulas, pomadas e cremes), superando em 24% a produção de 2002 e em dez vezes a produção de 1997.

Atualmente, Far-Manguinhos atende aos seguintes programas do Ministério da Saúde: Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids; Programa Nacional Hiperdia; Programa Saúde da Família (PSF); Programa Alimentação Nutricional; Programa Nacional de Tuberculose; Programa Nacional de Hanseníase; Programa Multidrogas; Programa Penitenciário.

Vacinas Bacterianas – Em outra solenidade hoje pela manhã, também na Fiocruz, o presidente da República e o ministro da Saúde inauguraram o Centro de Produção de Antígenos Bacterianos Charles Mérieux (CPAB). O centro integra o parque da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e constitui-se no mais moderno laboratório de vacinas bacterianas da América Latina. Nas novas instalações serão produzidas, anualmente, 45 milhões de doses de diversas vacinas, numa área de 2.400 metros quadrados.

O investimento total na construção do CPBA é de R$ 43,8 milhões. Com a inauguração destas instalações, duas vacinas que passam a integrar a linha de produção da Fiocruz: a tetravalente e a Meningococo B.
A vacina tetravalente conjugada protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite por Haemophilus influenzae do tipo B e outras infecções. Com a produção nacional dessa vacina, antes importada, o CPAB vai atender a 100% da demanda do Ministério da Saúde para o calendário básico de vacinação. Na oportunidade, será disponibilizado o primeiro lote de tetravalente nacional inteiramente produzido no País.

A segunda vacina, Meningococo B, garante imunidade contra meningite meningocócica do sorogrupo B. O CPAB também tem capacidade para produzir 20 milhões de doses anuais da vacina polissacaride contra a meningite meningocócica dos sorogrupos A e C. Futuramente, o centro também fabricará vacinas conjugadas contra meningite meningocócica dos sorogrupos B e C e contra pneumococo.

A programação da solenidade contou ainda com visita às obras de instalação do Centro de Produção de Antígenos Virais - que está sendo estruturado para a produção de vacinas contra varicela, hepatite A e rotavírus, cuja obra terá investimento, até 2005, de cerca de R$ 42 milhões – e o lançamento da pedra fundamental para a construção do prédio de Protótipos, Reativos e Biofármacos.

A Planta de Protótipos vai desempenhar um papel importante na finalização das atividades de desenvolvimento e de inovação tecnológica de vacinas. Já o Laboratório de Produção de Reagentes para Diagnóstico Laboratorial produzirá kits de teste rápido (para HIV/Aids) e kits para testes moleculares. Com o Laboratório de Biofármacos, o Brasil passará a produzir para o Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos – obtidos através da engenharia genética – que aparecem na vanguarda para controle de doenças como câncer, esclerose múltipla, insuficiência renal e hemofilia.

Escola Técnica – Ainda na Fiocruz, o presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Humberto Costa, acompanhados do ministro da Educação Tarso Genro, inauguraram a nova sede da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV). Na ocasião, será oficializada a designação da EPSJV, única escola federal do país voltada exclusivamente para a educação profissional em saúde, como Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde para Educação de Técnicos em Saúde.

A obra, iniciada em janeiro de 2003, contou com recursos do Ministério da Educação. Firmado em 2002, um convênio da EPSJV com o Programa de Expansão da Educação Profissional do MEC (Proep) garantiu o financiamento de mais de R$ 3,5 milhões para a construção do novo prédio no campus da Fiocruz em Manguinhos”. O edifício de cinco mil metros quadrados conta com 23 laboratórios, além das salas de aula tradicionais e de um restaurante. O investimento vai beneficiar cerca de mil estudantes por ano.

Criada em agosto de 1985, a instituição tem como objetivo articular o ensino, a pesquisa e a cooperação técnica em benefício da melhoria da qualidade dos serviços da Saúde e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), apoiando a consolidação da Educação Profissional em Saúde executada nos estados e municípios do país.

Ministrando cursos de Educação Profissional de Nível Básico e Técnico, a EPSJV abrange as áreas de Vigilância em Saúde, Atenção à Saúde, Gestão em Saúde, Informação em Saúde e Métodos e Procedimentos de Laboratório de Saúde, além de especializações técnicas e atualizações para profissionais já inseridos no setor.

Como sua política pedagógica parte do princípio de que os conhecimentos específicos da formação técnica estão associados à produção e à difusão de conhecimentos gerais das diversas áreas da ciência, algumas habilitações técnicas são cursadas de forma articulada e concomitante ao Ensino Médio.

Dentre os projetos nacionais desenvolvidos pela Escola Politécnica estão a edição da revista “Trabalho, Educação e Saúde” e a participação na coordenação do Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde (Proformar). A EPSJV também é a secretaria técnica da Rede das Escolas Técnicas do SUS (RET-SUS) e sedia a Estação de Trabalho Observatório dos Técnicos em Saúde.

Como Centro Colaborador da OMS, a Escola participa de projetos no âmbito da cooperação internacional com base nas seguintes atribuições: implementar projetos de educação técnica em saúde, por meio de ensino presencial e estratégias de educação à distância; implementar projetos para a formação de docentes de cursos técnicos em saúde; realizar consultoria para o desenvolvimento local de educação permanente de técnicos em saúde; preparar materiais educacionais para processos de educação e desenvolvimento de professores e de técnicos em saúde; desenvolver estudos técnico-científicos sobre técnicos em saúde; e disseminar informação e conhecimento técnico-científico sobre profissionais de saúde de nível técnico.