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01/09/2000
Nair de Teffé, a primeira dama que desenhava
Em 1913, a elite carioca passava os verões em Petrópolis. Em 1913, a filha do almirante Antônio Luís Hoonholtz, o Barão de Teffé, recebeu um aviso de seu pai: "Nair, hoje o Marechal Hermes vai chegar naquele trem que você batizou de trem dos maridos. Vamos à estação espera-lo".
Nair contou que achou o Marechal, que era o Presidente da República, muito abatido e triste e notou que sua expressão mudou ao vê-la. Dias depois o presidente telefonou marcando um passeio para o dia 20 de janeiro. Quando seguiam em direção ao bairro do Caxambu, Nair, que estava à frente do grupo, caiu do cavalo. O Marechal Hermes da Fonseca apressou-se em ajudar a moça e depois de perguntar se ela havia se machucado. Diante da resposta negativa, apressou-se: "Antes que cheguem os outros, eu quero lhe falar uma coisa depressa. Tive um sonho, mas acho quase impossível a sua realização. Não devo dizer-lhe". Diante da insistência de Nair, o presidente segredou-lhe: "Estou encantado com a beleza de Mademoiselle. Queria fazê-la minha esposa".
No final daquele ano, no dia 08 de dezembro, casaram-se em Petrópolis, com direito a banquete no palácio Rio Negro e, aos 27 anos de idade, Nair de Teffé tornou-se, então, a primeira dama do Brasil. No entanto, muito antes de encantar o presidente da República naquele verão petropolitano, a filha do Barão de Teffé já era uma figura de destaque. A inteligência e a personalidade de Nair levaram-na a quebrar os tabus da época. Falando vários idiomas, Nair, que como toda moça de elite, estudou na França, era apaixonada pelo teatro e pela música popular. Além de gostar de tocar violão, instrumento considerado pela elite como "coisa do populacho", Nair de Teffé escandalizava a "boa sociedade" freqüentando o Bar do Jeremias, reduto da intelectualidade boêmia do Rio.
Depois de fazer muitos retratos humorísticos das suas professoras do colégio de freiras de Paris, onde estudava, Nair de Teffé se tornou a primeira mulher a fazer caricaturas na imprensa brasileira. Seus desenhos faziam sucesso em publicações como a Gazeta de Notícias, O Malho, Careta e Fon-fon, além das revistas francesas Fantasio e Le Rire. Nair possuía um traço moderno capaz de captar com argúcia e ironia o lado cômico da vida.
Como primeira dama, Nair de Teffé abriu os salões do Palácio do Catete para os saraus. Nair conta que abria os salões do palácio como se fossem a sala de visitas de sua casa, gastando sempre o mínimo possível. Foi num desses saraus, em maio de 1914, que, a pedido do presidente, Nair convidou Catulo da Paixão Cearense para tocar. "Graças aos aplausos daquela noite memorável o violão irmanou-se nos salões da sociedade ao violino, violoncelo e ao piano", revelou Nair de Teffé.

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