01/09/2000
Domingo é dia de Feira de Antigüidades

ADRIANA BRITTO
FOTO: JOSE SOARES


Todo domingo uma das atrações do Centro Histórico petropolitano é a Feirinha de Antigüidades, montada na praça Visconde de Mauá. O trânsito é interrompido desde cedo e o espaço se transforma em uma reunião de pessoas interessadas em antigüidades e curiosos.

Nas barraquinhas se encontra de tudo: desde um prego sem grande importância até uma tela de um pintor antigo. Sorte dos apreciadores da arte de "garimpar", dentre objetos antigos, aqueles que realmente têm importância. A arte da "garimpagem" encontra na feirinha um outro facilitador: a cada semana novos objetos são postos em exposição. Os curiosos se aproximam e pedem informações sobre o que vêem sem constrangimento.

Segundo Helmut Dunkel, que trabalha com antigüidades há 38 anos, os objetos têm diversas procedências. "Eu prefiro trabalhar com peças da época do Império e relativas aos colonos", diz ele, mostrando uma série de fotografias antigas que comercializa a R$ 1 cada. Ao lado de Alice Dunkel, sua mulher, ele explica que as peças muitas vezes são encontradas em péssimo estado de conservação. "O segredo é perceber como ela pode vir a ficar ao receber tratamento", afirma Alice.

Helmut e Alice têm, na barraca peças como um telégrafo da Leopoldina, que data de 1880 e que ainda é capaz de funcionar e uma vitrola de corda, datada de 1935 para discos de 78 rotações. "Mas antes de recebermos qualquer peça procuramos saber a procedência delas", explica o casal. Quanto às datas, elas são conferidas pelo estilo de cada uma das peças.

Não longe da barraca de Helmut, está a de Jessé Andrade, um antiquário carioca que sobe a Serra todos os domingos para participar da feirinha, com peças que vão de um São José de Botas esculpido em madeira no final do século XVIII até bustos em bronze e louças francesas.

A barraca de selos, moedas e cédulas antigos atrai muitos jovens que estão iniciando-se na arte das coleções. Atualmente muitos deles estão colecionando cartões telefônicos usados e é lá na feirinha que abastecem-se. Arnaldo Pecini, dono da barraca, diz que nada do que vende é muito raro, mas há quem queira ter uma moeda antiga para dar sorte.

Os donos das barracas são unidos pela Associação Petropolitana de Antiquários, presidida atualmente por Marco Aurélio de Barros. Marquinho conta que a feirinha foi aberta em 1985, por iniciativa do antiquário Antônio Caetano. "A feirinha ajuda ao turismo e à cultura", opina Marquinhos. É ele quem conta que produtores de emissoras de televisão freqüentam o espaço, à cata de objetos de época para a montagem de cenários.

Segundo Marquinho, o preço na feirinha é mais em conta que nas lojas de antigüidades. Além disto, ao ar livre as pessoas ficam bem mais à vontade para conversar, perguntar, tocar. "Os antiquários são luxuosos e afugentam as pessoas mais simples que sequer entram. Aqui, todo mundo tem mais iberdade para trocar, comprar, vender, consignar", completa.






Até o presente momento foi registrada 1 opinião sobre esta matéria. Veja:

'Ainda não tinha conhecimento sobre essa feirinha. Achei maravilhoso ! Moro no Rio e assim que for à Petrópolis, vou visita-la. Parabéns pela iniciativa !'
DENIZE FURRIEL