08/09/2000
VINÍCIUS DE MORAES

O "poetinha" carioquíssimo também se refugiava na Serra
JOSEMIR MEDEIROS

Foi no Rio, em 1956, mais precisamente no Bar Vilarino, na avenida Graça Aranha, que o poeta e diplomata Vinícius de Moraes conheceu um jovem músico chamado Antônio Carlos Jobim. Desse encontro surgiu um convite para que Tom Jobim musicasse a peça Orfeu da Conceição, de Vinícius, premiada no concurso de teatro do IV Centenário de São Paulo, e que estava sendo adaptada por Marcel Camus para o cinema. A partir de então surgiu uma parceria de muitos anos, interrompida somente em 1980 com a morte do poeta. Depois de muitos outros encontros, dois anos depois, as composições da dupla seriam gravadas por Elizeth Cardoso no LP "Canção do Amor Demais" que, com a participação do violonista João Gilberto em duas faixas, lançaria a bossa nova.

Apesar de carioquíssimo, Vinícius também tinha o seu refúgio em Petrópolis. Em sua casa cercada de verde por todos os lados bem no começo da avenida Barão do Rio Branco, o poeta vinha buscar inspiração, recebia seus amigos e, muitas vezes, aproveitava a calma da cidade para produzir suas mais belas obras como a canção "Primavera", composta em Petrópolis em parceria com Carlos Lyra.

Em homenagem a Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes que se definia como "capitão-do-mato, poeta, diplomata, o branco mais preto do Brasil" e que deixou a poesia e a música popular brasileira mais empobrecida quando morreu no Rio a 9 de julho de 1980, a Petrópolis on Line" publica a letra de Primavera, clássico da bossa nova, composto no refúgio serrano do "poetinha".

"O meu amor sozinho
É assim como um jardim sem flor
Só queria poder ir dizer a ela
Como é triste se sentir saudade
É que eu gosto tanto dela
Que é capaz dela gostar de mim
E acontece que eu estou mais longe dela
Que da estrela a reluzir na tarde.

Estrela, eu lhe diria
Desce à terra, o amor existe
E a poesia só espera ver
Nascer a primavera
Para não morrer".