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08/09/2000
Petrópolis redescobre o prazer do vôo livre
ROBERTO MáRCIO DE CASTRO PEDRO
Houve uma época em que o vôo livre era um dos esportes mais praticados em Petrópolis. Nasceu aqui em 1983, após uma insistência dos poucos praticantes, que defendiam com unhas e dentes um morro localizado no Parque São Vicente, em Quitandinha. Mas valeu, porque de lá até os dias de hoje muitos pilotos de renome nacional já saltaram daqui.
É verdade que houve uma época que o esporte com asas delta era uma febre. A iniciativa partiu do petropolitano Fernando Morelli, que conseguiu arrancar das empresas e do governo municipal material suficiente para construir a primeira rampa de Petrópolis - a do Parque São Vicente (Foto). Já em 1984, a cidade começou a sediar alguns campeonatos, sendo alguns deles o Campeonato estadual de Vôo Livre.
A fama da cidade atraiu muitos pilotos experientes, acostumados a ganhar torneios internacionais. Num Brasileiro, realizado em 85, veio para cá nada menos que Beto Dourado, Phil Haegler e Pepê Lopes - ex-campeão mundial que morreu no dia 4 de abril de 91, quando espatifou-se contra um morro no torneio internacional, realizado em Wakayama, Japão. Pepê venceu a quarta etapa do Campeonato Estadual, e na época fez muitos elogios à pista petropolitana.
Como está agora? - O problema enfrentado pelo vôo livre em Petrópolis foi apenas um: não houve continuidade a realização de provas. Apesar do esforço governamental para a construção de duas novas pistas (Torre do Morin e Siméria), os pilotos ficaram sem patrocínio do executivo e não obtiveram apoio do Vôo Clube do Rio de Janeiro. Resultado: o esporte acabou sendo esvaziado.
Há dois anos , o Petrópolis Vôo Clube (PVC) vem tentando resgatar a importância da asa delta e parapentes, mas seus dirigentes reconhecem que a tarefa está sendo difícil. Foi criado aqui um ranking, cujo objetivo era pontuar cada prova oficial as manobras dos competidores. Mas se depender da disposição de alguns pilotos, o município voltará a receber mais de 100 pilotos, como há 14 anos atrás.
A tentativa de valorizar o vôo livre não foi em vão. Uma revista especializada publicou, no ano passado, o calendário de provas em todo o país e citou Petrópolis como um dos principais pontos do esporte. A Associação Brasileira de Vôo Livre (ABVL) elaborou o programa de eventos respeitando as atividades realizadas aqui. Agora só falta a Prefeitura e a iniciativa privada darem as mãos para resgatar a modalidade que foi motivo de elogios de grandes astros brasileiros.

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