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08/09/2000
Júlio Frederico Köeler
O major que inventou Petrópolis JOSEMIR MEDEIROS
Nascido em Mainz, na Alemanha, a 16 de junho de 1804, o major-engenheiro Júlio Frederico Köeler começou a trabalhar para o Império Brasileiro em 1828 e cinco anos depois obteve a naturalização brasileira. Desde 1841, Köeler conhecia as terras da futura Petrópolis, onde trabalhou fazendo medições topográficas. Em 1845, o Imperador designou Köeler para assumir a função de arquiteto do seu palácio de verão e, mais tarde, coube a ele a incumbência de projetar a cidade de Petrópolis.
Ao planejar Petrópolis, Köeler foi buscar inspiração no projeto do arquiteto inglês Henry Holland que em 1771 planejou o bairro londrino de Hans Town. Além disso, o major alemão procurou adaptar ao traçado da Cidade Imperial o mapa de uma região da Alemanha chamada Renânia. Dessa forma, o rio Piabanha, que corta a cidade corresponderia ao rio alemão Mosela e o rio Quitandinha ao Reno. Seguindo esse raciocínio, Köeler deu à praça onde os dois rios se encontram e onde está edificado o Palácio de Cristal o nome de Koblenz, mesmo nome da cidade alemã onde as águas do Mosela e do Reno se misturam. Os bairros da cidade, ou quarteirões, também receberam nomes de cidades alemãs como Bingen, Ingelhein e Darmstadt.
O plano de Köeler para a cidade de Petrópolis tinha uma grande preocupação com a qualidade de vida. Dessa forma, os terrenos deveriam ficar a 11 metros do centro do rio deixando passagem para que as fossas não poluíssem as águas. Para evitar o adensamento, os terrenos também deveriam ter 11 metros de frente e os topos dos morros deveriam ser preservados. Köeler pretendia com isso proteger as encostas e construir mirantes. Os colonos alemães que ocuparam a cidade cumpriram integralmente o plano de Köeler. Hoje, no entanto, resta muito pouco do projeto original do major alemão.
Júlio Frederico Köeler viveu muito pouco em Petrópolis para acompanhar a execução do seu plano urbanístico. No dia 21 de novembro de 1847, um domingo, Köeler havia convidado alguns amigos para um almoço em sua chácara onde hoje se localiza o bairro do Valparaíso. Após o almoço haveria uma prova de tiro ao alvo. Köeler dispara primeiro e quase acerta o centro do alvo, enquanto corre para ver de perto o seu feito, um amigo que nunca havia usado uma arma de fogo empolga-se e resolve atirar também. Köeler já estava voltando, desviando da linha de tiro do amigo, mas acabou sendo atingido quase à queima-roupa pela bala do seu amigo desastrado. Socorrido, Köeler não resistiu aos ferimentos vindo a falecer por volta da nove horas da noite. Antes porém, assinou seu testamento nomeando como um dos testamenteiros o amigo que o matara por acidente.

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