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08/09/2000
Saiba quem foram os primeiros habitantes da cidade de Pedro
Muito antes dos portugueses descobrirem o Brasil, Tupinambás e Tamoios viviam nas terras da futura Cidade Imperial. JOSEMIR MEDEIROS
Muitos anos antes do Imperador D. Pedro I conhecer pela primeira vez a então Fazenda do Córrego Seco no ano de 1822, quando ainda era Príncipe Regente, a caminho de Minas Gerais, as terras onde hoje se encontra a cidade de Petrópolis abrigou índios e escravos foragidos. A região, segundo estudos feitos por Capistrano de Abreu e Jaime Cortesão, era cortada por um caminho dos índios tupinambás e tamoios que, através da Serra da Estrela ligava o litoral a Itaipava. Os índios davam o nome de Peabiru a essa primitiva estrada Rio-Petrópolis. Ainda segundo esses estudos, na região onde hoje fica a Fazenda Inglesa haviam aldeias indígenas datadas de cerca de 500 anos antes do descobrimento.
Os primeiros brancos chegaram à região por volta de 1523. Eram batedores enviados por Martim Afonso de Souza. Eles procuravam caminhos para o interior, mas tiveram que voltar ao Rio, afugentados por uma tempestade que os surpreendeu na serra. As chuvas, que como se vê sempre castigaram Petrópolis, fizeram com que o caminho para o interior do país fosse feito durante os séculos 16 e 17 por uma variante que começava em Parati.
Somente no século 18 resolveu-se insistir na alternativa de alcançar as Minas Gerais através da Serra da Estrela. O encarregado de fazer esse caminho novo foi Garcia Rodrigues Paes, filho do bandeirante Fernão Dias Paes. Em 1725, finalmente foi concluído essa nova estrada encurtando a distância entre o ouro de Minas e o Rio, de onde as riquezas seguiam para Portugal.
Com o fim das aldeias dos Tupinambás e Tamoios, a região de Petrópolis foi ocupada por quilombos fundados por escravos fugidos das fazendas do vale do Paraíba. Em 1839, tropas federais arrasaram o mais importante quilombo da região, o de Manoel Congo, onde teriam sido mortos 300 negros.
A revolta dos escravos, curiosamente, ficou sendo a justificativa para que a 16 de março de 1843 o mordomo da Casa Imperial Paulo Barbosa da Silva decretasse a fundação de Petrópolis, para, segundo ele, barrar as revoltas de escravos no vale do Paraíba, evitando que eles alcançassem o Rio.
Depois de Nova Friburgo e Leopoldina, Petrópolis foi a terceira cidade brasileira a ser colonizada por colonos livres. Além disso, Petrópolis foi totalmente projetada pelo major alemão Júlio Frederico Köeler. Ele imaginou ainda um projeto agrícola baseado na cultura do café o que não deu certo, uma vez que a altitude não permitiu o desenvolvimento desse tipo de lavoura.
Petrópolis não surgiu graças à atividade agrícola, não era um centro de mineração e também nunca foi um arraial de estrada. Diferente da maioria das cidades brasileiras, Petrópolis sempre foi a Cidade Imperial, o local de veraneio da família imperial e, mais tarde, da burguesia brasileira.
Em 1845, numa entrevista ao Jornal do Commercio, o major Köeler fazia um verdadeiro comercial da recém fundada Petrópolis:
"Uma das maiores necessidades que experimentam os habitantes da Corte é a de poderem aliviar-se do intenso calor que sofrem durante os meses de verão. A Serra da Estrela, uma das mais elevadas da cordilheira, lhes oferece este refrigério, tanto pelo seu clima sumamente saudável e temperado e águas abundantíssimas, como pela comodidade e rapidez com que é possível efetuar-se a mudança de uma atmosfera abrasadora para outra temperadíssima, com uma diferença de 25º Farenheit".

Até o presente momento foi registrada 1 opinião sobre esta matéria. Veja:
'Excelente matéria. Estou fazendo um trabalho de pesquisa muito importante aqui na região de Leopoldina/MG, e me valeu muito. Obrigada, volterei sempre a esta página para saber mais sobre a belíssima e aprazível Petrópolis. Abraços
Ok. VaLEU,' MARILIA APARECIDA DE SOUZA CAMPANA
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