08/09/2000
Irineu Evangelista de Sousa

"O Barão de Mauá"
 

O empreendedor Irineu Evangelista de Sousa, barão e visconde de Mauá, nasceu em 1813 em solo gaúcho. Aos cinco anos de idade, perdeu seu pai e, para evitar confronto com o novo marido, sua mãe o mandou para o Rio de Janeiro, em companhia de um tio, que era comandante de um navio.

Naquela época, começava-se a trabalhar cedo e com nove anos Irineu Evangelista entrava no seu primeiro emprego, como caixeiro do comerciante João Rodrigues Pereira de Almeida, num momento em que os brasileiros sofriam discriminação dentro de seu próprio País. Era 1822 e o Rio vivia com as lutas da Independência. Aos 15 anos ele já era homem de confiança de Richard Carruthers, um escocês cético que dedicava-se às importações e aos 23 recebe do patrão uma parte dos negócios. Aos 30 anos Mauá, ainda sem o título, era um dos homens mais ricos do Império.

Irineu Evangelista, encantado com o que viu na sua primeira visita à Inglaterra, resolve então vender seus bens para se tornar o primeiro industrial do País. Em 1846 ele abre uma pequena fábrica de navios em Niterói. A empresa cresce em um ano torna-se a maior do Brasil. De 1852 a1856 ele funda bancos, estradas de ferro, companhias de navegação e serviços públicos, não somente no Brasil, mas em outros países como Uruguai, Argentina, Estados Unidos e Inglaterra.

Neste período ele cria também a primeira ferrovia brasileira, entre Petrópolis e o Rio de Janeiro: Em 1854 é inaugurada a Estrada de Ferro Barão de Mauá, primeira ferrovia brasileira ligando o porto da Guia de Pacobahyba, hoje Porto de Mauá, à Raiz da Serra de Petrópolis. Na cerimônia de inauguração, Irineu Evangelista de Sousa recebe o título de Barão de Mauá, conferido por D. Pedro II. Foi Mauá também quem inaugurou o trecho inicial da primeira rodovia pavimentada do País, entre Petrópolis e Juiz de Fora.

No seu tempo, Mauá não foi entendido pela sociedade acostumada à escravidão e aos conchavos. Pioneiro, hoje em dia ele seria enaltecido pelos conceitos de globalização e tecnologia de ponta que imprimia em sua atividades. Ele chegou a controlar 17 empresas e dentre seus feitos está a instalação dos primeiros cabos telegráficos submarinos entre Brasil e Europa.

Na política, Mauá foi deputado liberal, abolicionista e contrário à Guerra do Paraguai. Em atrito com as autoridades imperiais, sofre sabotagens e pressões que o levam à falência. Até o fim da sua vida Mauá, que faleceu em 1889 em na casa onde morava em Petrópolis - o Palácio Mauá, na praça da Confluência onde hoje está instalada a Secretaria de Indústria, Comércio e Indústria - tentou pagar as dívidas que restaram do conglomerado erguido durante seus 75 anos.