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08/09/2000
Gabriela Mistral, a poetisa chilena de alma petropolitana
JOSEMIR MEDEIROS
Nascida em Vicuña, no Chile, em 1889, Lucila Godoy Alcayaga, que adotou o pseudônimo de Gabriela Mistral foi professora em sua terra natal, publicou seus primeiros livros entre 1914 e 1924. Mais tarde ingressou na carreira diplomática tornando-se consulesa geral do Chile no Brasil. Nessa ocasião adotou Petrópolis como lugar para viver e aqui recebeu, em 1945, a notícia de que havia sido escolhida para receber o Prêmio Nobel de Literatura. Gabriela partiu para Estocolmo e, recebendo novas ordens diplomáticas, deixou seu posto no Brasil e nunca mais voltou a Petrópolis. Em retribuição ao carinho que dedicou à cidade, a prefeitura acaba de inaugurar, com a presença do embaixador chileno Heraldo Muñoz Valenzuela, um monumento a Gabriela Mistral, de autoria do escultor Dennis Cross e que está localizado na entrada do Centro de Cultura e Educação Tristão de Athayde, que guarda hoje o acervo da biblioteca da poetisa chilena.
Enquanto viveu em Petrópolis, Gabriela Mistral fez muitas amizades, inclusive com o escritor Stefan Zweig, que conheceu na Biblioteca Municipal, onde era vista com muita freqüência. A poetisa chilena também era presença constante nos círculos literários e teve como grande amiga em Petrópolis, Mariná de Moraes Sarmento, que mais tarde iria homenagea-la criando a Sala de Letras e Artes Gabriela Mistral, com objetos e lembranças da poetisa, além de um rico acervo de livros, que hoje está incorporado à Biblioteca Municipal.
Segundo consta, ao receber a notícia de que havia ganho o Nobel de Literatura, Gabriela Mistral apressou-se para chegar à Suíça a tempo e, como não dispunha de roupas adequadas para o frio sueco precisou pedi-las emprestadas às suas amigas petropolitanas. Depois de tanta correria, a poetisa descobriu, ao chegar ao Rio, que o único navio capaz de leva-la a Estocolmo já havia partido no dia anterior. Diante disso, o presidente Getúlio Vargas teria dado ordens para que o navio retornasse ao porto só para que Gabriela Mistral pudesse embarcar e receber seu prêmio.

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