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15/09/2000
Rumo à Alta Tecnologia
RICARDO GOOTHUZEM
Um esforço para colocar Petrópolis na rumo da alta tecnologia e superar o esvaziamento econômico dos últimos anos é um dos principais objetivos do projeto Petrópolis-Tecnópolis. Conduzido por instituições públicas e privadas, o projeto começa a entrar em sua fase de concretização com a elaboração do Plano Estratégico que vai nortear as ações dos organismos envolvidos daqui por diante. Em termos simples, a Petrópolis-Tecnópolis será uma “cidade do conhecimento”, enfatizando produtos e serviços da área tecnológica, como programas de computador, química fina e indústrias de base tecnólogica. Esta vocação foi detectada num estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), além de ter sido indicada no plano “Infra-Estrutura de Longo Alcance Para o Desenvolvimento Sustentado do Estado do Rio”, elaborado pelo consultor Eliezer Batista com patrocínio da Firjan.
O processo de implantação da Petrópolis-Tecnópolis, porém, é um trabalho a longo prazo, avisa o diretor superintendente da Fundação Parque de Alta Tecnologia (Funpat), Robson Cardinelli. “A idéia da Petrópolis-Tecnópolis já começa a se disseminar entre a população da cidade, o que é positivo, porque o apoio da comunidade é necessário”, afirma. A necessidade de embasamento levou à formulação do Plano Estratégico, que está sendo conduzida pela Coopetec, entidade ligada à UFRJ.
Uma das principais propostas do Plano Estratégico, cujo relatório preliminar já está sendo discutido pelas entidades responsáveis pela implantação da Petrópolis-Tecnópolis, é justamente a captação de recursos. Através de pesquisas e debates com a comunidade, a Coopetec vai listar ações prioritárias, entre as quais ações na área de infra-estrutura, como a implantação do sistema de fibra ótica no município, um item atrativo para empresas de alta tecnologia. Segundo o diretor da Funpat, o relatório final do Plano Estratégico deve ser divulgado em julho.
Embora a assinatura de convênios e protocolos tenham sido o aspecto mais visível do projeto Petrópolis-Tecnópolis desde que o projeto começou a ganhar cores mais precisas, em outubro do ano passado, ações mais concretas começam a surgir. A divulgação feita até o momento, segundo Robson Cardinelli, tem resultado em contato de empresas de setores relacionados com a alta tecnologia, entre as quais firmas que fazem programas de computador e que se interessaram em se instalar em Petrópolis. Além das condições favoráveis do município, uma ação do Poder Público ajudou a despertar o interesse dos empresários - a redução das alíquotas do ISS para 0,5% (no Rio, por exemplo, a alíquota é de 5%) para empresas de informática.
Algumas características do município foram levadas em conta para o incentivo às empresas de alta tecnologia. Cercada por áreas de preservação ambiental e com uma topografia acidentada, Petrópolis não se presta à instalação de grandes empreendimentos industriais, como uma montadora de veículos, por exemplo. No 1º Distrito, há um grande número de imóveis tombados, o que significa que a construção de novos prédios, quando não é proibida, implica em consultas a órgãos encarregados de zelar pelo Patrimônio.
Empresas de base tecnológica se adaptam bem a este ambiente porque raramente requerem grandes instalações ou intervenções no Meio Ambiente. Na verdade, são empresas não-poluentes, motivo pelo qual se tornaram atrativas. As vantagens apontadas pelos defensores do projeto petrópolis-Tecnópolis não páram por aí. A infra-estrutura rodoviária, com fácil acesso aos grandes centros da Região Sudeste, a proximidade do Rio de Janeiro e do aeroporto internacional, sem falar dos Portos do Rio e de Sepetiba, também são outros fatores positivos.
O grande trunfo da futura Petrópolis-Tecnópolis, porém, é o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). Centro de referência nacional em pesquisa científica e desenvolvimento tecnólogico, o laboratório, instalado no Quitandinha, é voltado para a modelagem e a simulação computacional. Na instituição há pesquisas em áreas de engenharia, hidrologia, meio ambiente, tratamento de efluentes, automação industrial, robótica e meteorologia. Embora lide com tecnologias sofisticadas, a instituição também vem atuando junto à comunidade de outras formas, promovendo cursos gratuitos de capacitação em informática.
No LNCC também vai surgir um dos componentes essenciais associados à Tecnópolis: uma incubadora de empresas. O Sebrae - que já repassou recursos de R$ 90 mil para a elaboração do Plano Estratégico - aprovou o projeto de confecção de um Plano de Negócios para uma incubadora no LNCC que vai custar R$ 30 mil.
Um dos benefícios da instalação do LNCC foi a reativação da Fundação Parque de Alta Tecnologia de Petrópolis (Funpat), uma entidade privada fundada em 1987 já com a proposta de incentivar o setor. Depois de dez anos sem atividade, um convênio com o LNCC para atuação na área comercial reativou a Funpat, atualmente presidida pelo ex-diretor do Laboratório, Antonio César Olinto.
Atualmente, a Funpat se encarrega da parte operacional do projeto Petrópolis-Tecnópolis, conforme estabelecido pelo protocolo de intenções assinado com o governo federal em outubro do ano passado. A entidade também tem o objetivo de oferecer serviços de infra-estrutura em alta tecnologia, atuar como canal de captação de recursos, promover simpósios e conferências e interagir com instituições de ensino e pesquisa.
Para o diretor da Funpat, Robson Cardinelli, o projeto Petrópolis-Tecnópolis será a retomada do desenvolvimento econômico e social do município. Em sua caminhada de longo prazo, porém, Petrópolis não está sozinha. Municípios voltados para o setor de alta tecnologia se espalham pelo Brasil, cada um dos quais lutando para atrair empresas e incentivar novos empreendimentos. Um dos exemplos de sucesso é o de Blumenau, que instituiu um programa de incentivo às empresas de informática para substituir a indústria têxtil e hoje conta com centenas de empreendimentos do setor, que se tornou o maior empregador do município.
Os petropolitanos tiveram a oportunidade de conhecer outras experiências, como a de Pato Branco (PR), cujo prefeito, o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra, esteve na cidade ano passado. Uma das ações desenvolvidas no município foi a implantação do turno único nas escolas, iniciativa defendida pelo prefeito paranaense como essencial para a formação da mão de obra altamente qualificada que é necessária para uma Tecnópolis bem-sucedida.
Outras cidades que estão desenvolvendo projetos de incentivo aos produtos e serviços na área de alta tecnologia são Cascavel e Londrina (PR), Caxias do Sul e Santa Rita do Sapucaí (RS), Uberaba e Itajubá (MG), Campina Grande (PB) e Vitória (ES). No Rio, a PUC e a UFRJ desenvolvem projetos de incubadoras de empresas, que já são 100 em todo o país, segundo a Funpat.

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