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15/09/2000
A Casa do Inventor
Santos Dumont deixou marcas do seu arrojo num chalé alpino francês que hoje atrai milhares de turistas à rua do Encanto, em Petrópolis. JOSEMIR MEDEIROS
FOTO: MARCOS PINTO
A “Encantada” tem a marca do seu dono. A começar pela escolha de um terreno acidentado e bastante íngreme, na entrada da rua do Encanto, o chalé de Santos Dumont traz consigo a marca do arrojo e da inventividade de seu proprietário. Construída por Eduardo Pederneiras, sob a supervisão direta de Santos Dumont, a “Encantada”, depois de pronta revelou muitos aspectos da personalidade de seu proprietário. Um exemplo é a escada que leva à pequena varanda de entrada e a outra que leva ao quarto de Santos Dumont. Em ambas fica registrado o espírito supersticioso do inventor, que deu aos degraus a forma de raquetes, dispondo-os de maneira que obriga as pessoas a iniciarem a subida sempre com o pé direito.
Além de supervisionar o projeto e a construção da casa, todo o resto, desde as cores das paredes até os objetos de decoração, traz a marca pessoal de Santos Dumont, que chegou até mesmo a fabricar alguns utensílios que adornam sua casa.
A casa é em grande parte construída de madeira, possui três pavimentos que estão divididos da seguinte forma: no primeiro, uma oficina laboratório; no segundo, local de moradia, e no terceiro, uma espécie de água furtada. A casa possui sala de estar - jantar com mesa e estante fixas na parede, cadeiras soltas e uma lareira.
Durante o dia o quarto servia também de escritório, já que a cama é formada por um móvel esquinado, sob o qual existem várias gavetas, e onde D. Eulália, a caseira, acrescentava um colchão no final do dia.
No terceiro andar está o banheiro, todo em louça importada, equipado com um chuveiro aquecido a álcool, idealizado por Santos Dumont. No terraço, no alto da cobertura, foi instalado um observatório astronômico. A casa não tinha cozinha e por isso Santos Dumont precisava sair para fazer suas refeições o que, segundo D. Eulália, constituía-se num dos raros momentos em que o inventor deixava sua casa, onde passava o tempo estudando e trabalhando.
“Madrugava e preparava o seu próprio café. A arrumação fazia a seu jeito. Uma ou outra vez recebia alguns amigos. Quase sempre ficava só, não permitindo que o interrompessem. À noite, passava horas no seu observatório.”

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