16/09/2000
Aventureiros em defesa do meio ambiente

RICARDO GOOTHUZEM

O nome deles é aventura. Os cinco componentes da equipe Fronteira Aberta vêm percorrendo o Brasil em expedições cada vez mais ousadas, nas quais não somente procuram testar seus limites, mas também constatar danos a ecossistemas variados e levar ao conhecimento do público suas descobertas.

Juntos ou em grupos menores, a equipe já esteve no Pantanal Matogrossense, na maior praia do mundo ou no segundo maior canal do mundo, mas planeja expedições ainda mais ousadas. Segundo Jorge Henrique Schffler, 32 anos, um dos componentes, entre as propostas que estão em estudo estão um deserto no Uruguai, o Lago Titicaca e uma geleira na Cordilheira dos Andes. “Fazemos uma votação para decidir o que o grupo vai fazer”, explica ele.

No grupo há também o geólogo Alexandre Berner, 24 anos, que costuma fazer levantamento de dados sobre seu campo de atuação nas expedições; e o administrador de empresas e guia de turismo Oliver Ochs, normalmente responsável pela logística das viagens. O geógrafo e professor Paulo César Aguiar Fernandes, 38 anos, realiza pesquisas e elabora aulas de campo e painéis exibidos após as aventuras; e o designer carioca Thomaz Pompeu Brasil, 28 anos, que desenvolveu o site na Internet onde podem ser conferidos maiores detalhes sobre as aventuras da equipe. Os componentes se conheceram fazendo montanhismo em Petrópolis e arredores.

Encerrada uma expedição, a equipe Fronteira Aberta inicia uma nova fase do trabalho: a divulgação das expedições, que é feita através de exposições fotográficas e painéis e palestras. As palestras são divididas de acordo com o público alvo e o assunto, e não somente servem para divulgar o trabalho, mas também auxiliar no trabalho de captação de recursos necessários às expedições. No final deste mês, a exposição referente à caminhada pela maior praia do mundo, no Rio Grande do Sul, poderá ser visitada no restaurante Ki Delícia, um dos patrocinadores.

O custo das viagens não costuma ser alto. A maior parte dos equipamentos é da própria equipe e a estrutura é simples. Na viagem de três dias pelo segundo maior canal do mundo, no estado do Rio, o custo estimado para fins de captação de patrocínio ficou orçado em R$ 2,4 mil. Nesse valor foi incluída a remuneração dos cinco membros da equipe e das duas responsáveis pela equipe de apoio: apenas R$ 100,00! Ainda assim, as cotas de patrocinadores precisam ser divididas e a equipe costuma trabalhar duro para conseguir o patrocínio necessário.

Confira agora algumas das aventuras da equipe Fronteira Aberta:

Rio Taquari - A primeira aventura de grande porte da equipe. Em julho de 1998, desceram o rio Taquari, no Pantanal Matogrossense, em canoas canadenses. A aventura foi divulgada em todo o país e serviu para consolidar o interesse dos integrantes da equipe em expedições pelo Brasil.

Maior praia do mundo - Situada na costa do Rio Grande do Sul, trata-se de um trecho de 210 quilômetros entre Rio Grande e Chuí que forma um trecho contínuo de praia. Dois dos componentes da equipe participaram da travessia a pé, realizada em março deste ano: Alexandre Berner e Jorge Schiffler. Foram nove dias de caminhada numa região deserta, enfrentando tempo ruim e o risco constante da falta d’água. A dupla documentou as agressões ao meio ambiente na região e passou por momentos inesquecíveis, como a caminhada nos quilômetros e quilômetros da praia coberta por conchas de todos os tamanhos.

Restinga de Jurubatiba - Construído por escravos no século passado para o escoamento da cana-de-açúcar, o canal Macaé-Campos, com 100 quilômetros, é o segundo maior canal artificial do mundo, perdendo apenas para o canal de Suez, no Egito. Os cinco componentes do grupo percorreram cerca de 40 quilômetros, o trecho navegável, em canoas canadenses, as mesmas usadas no Pantanal. A viagem aconteceu no início de maio e serviu para comemorar os três anos de criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, que abrange parte do canal.