16/09/2000
Construtores do progresso

Os colonos alemães que se estabeleceram em Petrópolis, a partir de 1846, tiveram importância fundamental no desenvolvimento da cidade imperial.
JOSEMIR MEDEIROS

O palácio de verão do Imperador D. Pedro II, hoje transformado em Museu, foi edificado por eles. O núcleo histórico da cidade também e, mais do que isso, a vocação industrial e tecnológica de Petrópolis foi construída pelos colonos alemães trazidos à antiga fazenda do Córrego Seco, pelo major Júlio Frederico Koeler. Ao firmar, em 1844, um contrato para introdução desses colonos, o engenheiro alemão, que trabalhava para o Imperador D. Pedro II, procurava carpinteiros, ferreiros, pedreiros e trabalhadores de estrada. Dois anos depois, dois mil colonos alemães desembarcam no alto da serra da estrela com a intenção inicial de estabelecerem aqui uma colônia agrícola.

O solo petropolitano, na verdade, não apresentava as melhores condições para a produção agrícola e, aliado a esse fator, a mão-de-obra dos colonos alemães que aqui chegaram era especializada em artesanato e indústrias. Dessa forma, os colonos acabaram sendo mais utilizados nas obras de construção do palácio imperial, na abertura de estradas e na execução do plano urbanístico da Vila Imperial de Petrópolis, elaborado pelo major Júlio Frederico Koeler. Por conta dessa vocação industrial, os primeiros dirigentes da colônia procuraram mostrar aos dirigentes da Província do Rio de Janeiro que Petrópolis poderia abrigar fábricas e, por iniciativa desses colonos, em 1854, funda-se a Sociedade de Agricultura e Indústria.

Nascem as indústrias - No começo as atividades industriais eram caseiras e, preferencialmente, voltadas à alimentação. Surgem assim, na região da Mosela, a indústria de conservas e mais tarde unidades para produção de queijo e manteiga, que já eram exportadas para a então província do Rio de Janeiro. Além dessas experiências com agroindústrias, os colonos desenvolviam ainda atividades de serraria, especializando-se na construção de carroças, atividade que ganhou força com a inauguração da linha de diligências entre Petrópolis e Juiz de Fora.

Sete anos depois da chegada dos primeiros colonos alemães, em 1853, Petrópolis já contava com diversas indústrias, entre elas uma fábrica de tecidos, de Alfred Gand, três de cerveja, uma serraria para fabricar tinas, rodos e outros produtos de madeira e uma fábrica de calçados. Os colonos dedicavam-se ainda às atividades de ferreiros, relojoeiros, ourives, marceneiros, oleiros, funileiros, vidreiros e, nas residências dos alemães, começava a surgir uma atividade industrial que iria marcar definitivamente o desenvolvimento de Petrópolis: a tecelagem.

Em 1880, graças à abolição da escravatura, ao crescimento demográfico e a uma injeção de capital oriundo da produção cafeeira, a indústria petropolitana incrementa-se ainda mais e, em conseqüência disso, a cidade ganha importância econômica, começando a surgir os primeiros hotéis de qualidade, como o Bragança, o Suíço e o de França.

Em 1883, funda-se a Companhia Petropolitana, fábrica de tecidos localizada no bairro de Cascatinha, trazendo consigo o primeiro núcleo de imigrantes italianos, além da fábrica de papel, no Itamarati. Em 1889, cria-se a fábrica de tecidos Dona Isabel e, em 1904, também no ramo têxtil, a Webber, atual fábrica Werner.

Entre 1900 e 1930, a indústria têxtil consolida-se em Petrópolis, atraindo centenas de trabalhadores à cidade, em busca de oportunidades de emprego. A partir dos anos 80, esse ramo industrial passa por dificuldades e grandes empresas encerram suas atividades na cidade. No entanto, a tradição iniciada com os teares caseiros dos colonos alemães sobrevive com micro, pequenas e médias empresas do setor de confecções que transformaram a rua Teresa num pólo econômico da maior importância para Petrópolis.