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16/09/2000
Onda de assaltos na BR-040 assusta motoristas
RICARDO GOOTHUZEM
Uma onda de assaltos na BR-040 está apavorando quem precisa trafegar pela estrada. Arrastões, sequestros relâmpagos, roubos de veículos e assaltos a ônibus: o mês de junho foi marcado pela violência das quadrilhas, o que obrigou as polícias militar e rodoviária federal a articularem operações especiais para tentar conter a ousadia dos marginais.
Cerca de 10 casos foram registrados ao longo do mês, culminando com a morte de Adicio José Pereira, 42 anos, morto pelos assaltantes de um ônibus que fazia a linha Caxias-Petrópolis na segunda-feira, dia 26, à noite. Porém, outros viajantes também passaram por momentos de terror. No início do mês, o casal Mariano e Vera Maria Henrichs foi sequestrado por marginais que ocupavam dois veículos e rodaram com o casal por cerca de duas horas até libertá-los na Praia de Grumari. Outro casal, Antonio Carlos e Eunice Afonso Ribeiro, também teve o veículo, uma pick up Chevrolet D10, levado por quatro assaltantes na madrugada de sexta-feira, dia 23.
A onda de assaltos desperta ainda mais indignação por se tratar de uma rodovia privatizada, na qual os motoristas pagam pedágio e querem ter segurança. A Concer, entretanto, joga a responsabilidade sobre a Polícia Rodoviária Federal, a quem cabe a responsabilidade pela segurança nas rodovias federais. A PRF, às voltas com a crônica falta de pessoal para fiscalizar as estradas, resolveu agir no final do mês. Depois de operações conjuntas com a Polícia Militar, montou um posto móvel no Belvedere, ponto chave da região. O posto começou a funcionar no sábado, dia 24. A área do Belvedere é estratégica porque representa o único ponto de retorno para o Rio. Assim, a maioria das abordagens acontece no trecho de subida até o retorno, que, além disso, é mal iluminado e um ponto cego para os telefones celulares. A proposta da prefeitura de Petrópolis é construir no local um posto permanente para atendimento aos motoristas e para servir de apoio à ação policial.
Operações policiais ocorrem periodicamente, em geral a reboque da divulgação dos fatos mais violentos. No meio de junho, uma grande operação foi montada para tentar coibir a ação das quadrilhas: veículos foram revistados, incluindo ônibus, o que acabou resultando na detenção de 25 pessoas, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A falta de ação permanente da polícia, no entanto, leva a investidas periódicas das quadrilhas, conforme aconteceu no final do ano passado, quando quatro sequestros relâmpagos ocorreram em menos de um mês.
Embora os meios de ação dos marginais sejam os mais variados, a polícia militar lista algumas precauções que podem ser tomadas pelos motoristas, principais alvos dos assaltantes. Entre elas está evitar o uso de carros importados ou sofisticados, principalmente de madrugada, e também não levar objetos de valor durante as viagens, a menos que absolutamente necessário. Viajar sozinho é sempre um risco adicional. Também é recomendado que se preste atenção a veículos que estejam seguindo o motorista por longos períodos - neste caso, o motorista deve procurar o posto policial mais próximo.
Dar carona ou atender a pedidos de ajuda de desconhecidos também são desaconselhados pela polícia. Parar o veículo em locais desertos é outra atitude perigosa e mesmo quando há obstáculos na pista, o motorista deve tentar continuar, a não ser que no local haja policiais rodoviários ou funcionários da Concer sinalizando.
Se mesmo com todas as precauções o assalto acontecer, o principal conselho, de acordo com a polícia, é manter a calma e tentar identificar características dos assaltantes. Outra providência importante, segundo a polícia, é reportar o fato assim que possível. Muitas vítimas ficam traumatizadas e só avisam à polícia horas depois, dificultando qualquer possível ação para tentar capturar os ladrões.

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