16/09/2000
O começo da Trilha do Ouro

No Porto da Estrela, no atual município de Magé e onde hoje só restam ruínas, começava o chamado caminho novo por onde passavam as riquezas vindas de Minas Gerais.
JOSEMIR MEDEIROS

Ela já foi uma vila próspera, com igreja, armazéns, cerca de 600 casas e um burburinho constante de viajantes. A vila de Nossa Senhora da Estrela e o seu porto, às margens do rio Inhomirim, na Baixada Fluminense era passagem obrigatória dos viajantes que partiam em direção ao ouro de Minas Gerais. Hoje esse pedaço importante da história do Brasil está totalmente abandonado. Do cais só restam poucos degraus quase imperceptíveis no meio do mato, do posto da alfândega, onde eram controlados o pagamento de impostos incidentes sobre o ouro vindo de Minas Gerais, restaram somente as ruínas da fachada, um vão com três portas. Mais ao longe as ruínas da igreja que já abrigou a imagem de Nossa Senhora da Estrela e, ao fundo, muito pouca coisa do antigo cemitério da vila à qual já pertenceu Petrópolis.

A decadência da antiga vila começou com a inauguração da primeira estrada de ferro brasileira, construída pelo Barão de Mauá. A partir da linha férrea, todo o movimento da região foi desviado para a vila de Nossa Senhora de Pacobahyba, na atual praia de Mauá e o porto da Estrela foi se esvaziando, sofrendo com as epidemias e com a falta de atrativos econômicos. Hoje, o acesso às ruínas, feito a partir da estrada Rio-Magé, na localidade conhecida como Parque da Estrela é difícil e poucos são os que conhecem sua história e se interessam por sua preservação.

Na onda dos festejos de 500 anos do Brasil surgiram propostas para transformar o antigo caminho do ouro em rota de ecoturismo, num percurso de 122 quilômetros saindo do cais da praça 15 no Rio de Janeiro e chegando à cidade de Paraibuna, em Minas Gerais. As prefeituras das cidades incluídas na rota trabalham em conjunto para dotar o caminho de infra-estrutura, com a instalação de placas de sinalização e indicação de hospedagens, sítios históricos e locais de alimentação. .

Rota do ouro - Em 1698 o único caminho para se chegar às Minas Gerais, partindo do Rio de Janeiro era através de Paraty. A Coroa Portuguesa então determinou a Garcia Rodrigues Paes, filho do bandeirante Fernão Dias Paes, que descobrisse um caminho novo, a partir da Baía de Guanabara, tarefa concluída em 1707.

A rota, que passou a ser obrigatória para a passagem do ouro extraído das minas, até o início do século XIX, permitia que a viagem fosse feita em 25 dias a pé e 15 dias a cavalo, reduzindo os custos com transporte, já que antes do caminho novo a aventura até as minas poderia durar cerca de dois meses.

A viagem começava na antiga praia dos Mineiros, atual praça Quinze, de onde os viajantes tomavam um barco até o porto da Estrela. Dali os viajantes subiam a serra em direção à antiga fazenda do Córrego Seco, atual Petrópolis, seguiam em direção a Correias, onde existia a antiga fazenda do Padre Correya, chegavam à atual localidade de Secretário, onde havia um antigo engenho, passavam pelos atuais distritos petropolitanos de Itaipava e Pedro do Rio, para em seguida chegarem a Inconfidência, onde hoje existe o Museu de Tiradentes. Em seguida eram obrigados a passarem por uma revista na alfândega de Paraíba do Sul e só então seguiam em direção a Minas Gerais.